Conhecendo a Cristo
É mais fácil tornar-se um
cristão, ou permanecer como tal?
Ao interrogar as pessoas,
tanto jovens quanto idosas, tenho descoberto que elas geralmente acham que é
mais difícil permanecer como cristãos. Talvez elas tenham experimentado a
conversão depois de uma reunião evangelística ou retiro religioso; talvez
tenham sido tocadas por um hino ou sermão, mas, depois de algum tempo, o
sentimento feneceu e elas retornaram para onde estavam antes. Talvez tenham
descoberto a futilidade de operar sua justiça ou sua fé e desanimaram.
Por que acontece isso?
Será que não compreenderam como é viver a vida cristã? Qual é a base da vida
cristã? Quer você seja um adolescente ou já esteja com cabelos brancos,
provavelmente se defronte hoje com essas mesmas perguntas. Como pode o
cristianismo tornar-se significativo em sua vida? Como pode você conhecer Jesus
pessoalmente? Meu desejo é contar-lhe como a vida cristã se tornou palpável
para mim.
Depois de estar no
ministério por três anos, entrei em grande dificuldade. Até então, eu havia
sido bem sucedido em tomar sermões emprestados de outros pregadores, inclusive
do meu pai e do meu tio; eu conseguia pregar a respeito dos eventos dos últimos
dias e das doutrinas da igreja, mas um dia percebi que não havia nada do meu
próprio ensinamento e experiência com Cristo nesses discursos. Eu simulava e
seguia a rotina em minha vida sem realmente saber o que significava todo este
negócio de cristianismo. Ora, como ministro, eu tinha obrigação de ser uma
autoridade nisso.
Um dia tentei pregar
sobre Jesus e foi quando descobri que havia caído na armadilha de tentar falar
sobre Alguém que eu não conhecia pessoalmente. Quando me dei conta de que a
essência do evangelho é Jesus, mas que o meu enfoque não estava nEle, as coisas
começaram a parecer extremamente desanimadoras.
Creia-me, não há nada
mais frustrante do que ser um ministro do evangelho sem conhecer Jesus!
Enquanto se formavam úlceras dentro de mim, conscientizei-me, dolorosamente, de
que a menos que eu conhecesse Jesus Cristo através de uma experiência pessoal,
seria melhor procurar outra ocupação. Assim, decidi fazer o melhor que pudesse
para descobrir as respostas sobre esse assunto de cristianismo. Em uma reunião
campal, enquanto os pastores armavam suas barracas, eu chamei à parte alguns
desses colegas, um por um, e lhes fi z perguntas a respeito da fé e da religião
e como isso poderia tornar-se real em minha vida. Como um companheiro de
ministério, eu estava muito embaraçado para admitir que tinha interrogações
pessoais a respeito, de sorte que os abordei na terceira pessoa:
– Suponhamos que eu tenha em minha congregação alguém que não sabe como ser salvo. O que devo dizer-lhe?
– Diga-lhe que precisa obter uma nova vida do Alto.
– Bem, como ele pode fazer isso?
– Diga-lhe que estenda a mão e pegue a mão de Deus.
– Como eu, ou melhor, como pode fazer isso?
– Ele tem de cair sobre a Rocha e ser
despedaçado.
– O que significa isso?
– Significa que ele tem
que contemplar o Cordeiro.
É triste dizer que voltei
para casa, da reunião campal, mais desanimado do que nunca. Eu já havia usado
algumas dessas frases imponderáveis em meu próprio aconselhamento e sermões,
mas eram sem significado para mim em minha busca de respostas concretas. Fiquei
dolorosamente ciente de que muito da nossa terminologia e jargão religioso
provavelmente não significavam nada para muitas outras pessoas. Esses termos
eram irreais e fora do alcance para alguém que nunca os havia experimentado. Eu
estava decidido a abandonar o ministério, mas alguém me disse: “Você ainda não
terminou a busca porque ainda não estudou isso nos livros.”
E tive que admitir que
somente lia a Bíblia e orava quando tinha de fazê-lo. Resolvi estudá-la
novamente a fim de descobrir as respostas, procurando maneiras concretas de
tornar as frases intangíveis mais significativas. Comprei todos os livros que
havia sobre o assunto de fé, Jesus e vitória sobre o pecado. Naquele tempo, não
havia muita coisa escrita, mas deparei-me com um pequeno livro, o Caminho a
Cristo; vi que poderia lê-lo de capa a capa sem muita dificuldade. Eu o havia
lido antes em classe, e tinha sido maçante. Dessa vez, resolvi lê-lo
completamente e sublinhar tudo o que ele me dissesse para fazer. Comecei a ler
o livro e, imaginem, sublinhei quase tudo. Também descobri de onde tinham vindo
todas as frases intangíveis, imponderáveis: todas elas estavam ali.
No momento em que terminei o livro, eu ainda
estava bastante zangado, a ponto de atirá-lo ao fogo. As frases sublinhadas
ainda eram irreais e intangíveis! Quando fiz uma pausa para refletir sobre as
frases, descobri que algo estranho havia me acontecido interiormente. Não pude
explicá-lo, mas conquanto me sentisse ainda mais incapaz de descrever o que
estivera procurando, eu estava mais decidido a continuar pesquisando. Resolvi
tentar novamente, porém, dessa vez eu sublinharia apenas duas vezes as coisas
concretas que eu pudesse possivelmente fazer.
Para minha surpresa,
sublinhei apenas três coisas: estudo da Bíblia, oração e testemunho. E essa não
era uma nota agradável, porque eu preferiria ter lido a lista telefônica a ler
a Bíblia, mas achei que seria melhor dar uma chance a mim mesmo. Então, eu me
assentei com essa pequena “receita mágica” para o sucesso: ler a Bíblia
diariamente e orar um pouco para procurar “contentar” a Deus. Colocaria essa
mistura no forno por meia hora e então sairia pronto o bolo da vitória.
Entretanto, o bolo da vitória não saiu! Quis saber o que havia de errado.
Então, um dia me deparei
com a história de Nicodemos. Uma noite ele foi a Jesus com o propósito de
entrar numa discussão. Disse ele: “Senhor, Tu és um grande Mestre, e eu
gostaria de discutir contigo alguns importantes conceitos teológicos.” Você já
esteve envolvido em tal armadilha? Ele queria discutir, dissecar e analisar,
mas Jesus lhe disse que o conhecimento salvífico vinha de conhecer e aceitar a
Deus. Comecei de novo essa fórmula de estudar a Bíblia e orar, mas dessa vez comecei
a pesquisar as Escrituras com o propósito específico de me familiarizar com
Deus, aprendendo a conhecer Jesus pelo estudo da Sua vida e ensinamentos nos
Evangelhos, e isso fez a diferença. Descobri que a justiça não era nada que eu
pudesse desenvolver.
Era um dom que vinha
espontaneamente como resultado do conhecimento de Deus, de conhecer e me tornar
familiarizado com o Senhor Jesus. Desde então, tenho procurado outros métodos
para continuar minha experiência cristã, outros meios pelos quais alguém
aprende a conhecer Jesus, porém, nunca encontrei nada mais. Todas as outras
boas obras são o resultado desse tempo diário a sós com Jesus. Não posso nem
sequer gerar a fé por mim mesmo; é um dom de Deus. Portanto, todo o fundamento
da vida cristã é conhecer Jesus, aceitá-Lo e ter com Ele um relacionamento
pessoal.
Assim Jesus descreve a
necessidade de um relacionamento diário com Ele: “Eu sou o pão da vida – o pão
vivo que desceu do Céu. Aquele que vem a Mim nunca terá fome e o que crê em Mim
jamais terá sede. Se alguém comer a Minha carne e beber o Meu sangue, viverá
para sempre, mas se não o fizer, não terá em si nenhuma vida.” João 6:33 e 4.
Bem, isso parece um pouco confuso, não é? O
que pensariam os canibais das ilhas dos Mares do Sul se o seu único contato com
o cristianismo fosse essa descrição? Jesus, porém, afirmou que estava falando a
respeito da vida espiritual do indivíduo: “Minhas palavras são espírito e
vida.” Se você continuar ponderando sobre Suas declarações nesse capítulo,
descobrirá que Ele está falando a respeito do nosso relacionamento pessoal com
Ele. Está descrevendo a vida devocional – na qual nos demoramos nEle e Ele em
nós. Devemos chegar a um relacionamento tão pessoal com Jesus que nossa vontade
seja absorvida pela Sua.
Ele está nos dizendo que
não podemos ser cristãos vivos sem que O busquemos diariamente. Ninguém é um
cristão vivo a menos que tenha uma experiência diária com Deus. O que significa
comer a carne e beber o sangue de Cristo espiritualmente? Significa ter uma experiência
pessoal com Jesus, tendo por base um contato diário com Ele. Receber a Palavra,
o Pão do Céu, é declarado ser a recepção do próprio Cristo. Quando a Palavra de
Deus é recebida na alma, participamos da carne e do sangue do Filho de Deus.
Como o sangue é formado no corpo pelo alimento ingerido, assim Cristo é formado
interiormente pela absorção da Palavra de Deus, que é Sua carne e sangue.
Aquele que se alimenta dessa Palavra tem Cristo, a esperança da glória, formado
dentro de si.
A Palavra escrita apresenta ao pesquisador a carne e sangue do Filho de Deus e, por meio da obediência a essa Palavra, ele se torna participante da natureza divina. Como a necessidade do alimento temporal não pode ser suprida participando-se dele apenas uma vez, assim a Palavra de Deus deve ser comida diariamente para suprir as necessidades espirituais. Como a vida do corpo encontra-se no sangue, assim a vida espiritual é mantida pela fé no sangue de Cristo. Por causa do desgaste e perdas, o corpo deve ser renovado com sangue, sendo suprido pelo alimento diário. Assim, necessitamos alimentar-nos constantemente da Palavra, cujo conhecimento é a vida eterna. Essa Palavra deve ser nosso mantimento e bebida. Somente nisso encontrará a alma sua nutrição e vitalidade. Portanto, mantenho minha experiência cristã passando tempo a sós cada dia para familiarizar-me com Deus. Vivo pela fé em Cristo e permaneço nEle por meio de Sua Palavra e da oração.
Retirado do Seminário de Enriquecimento Espiritual 1 - Autor Morris Venden

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